Uma
maioria absoluta e uma derradeira oportunidade
As
eleições para a Assembleia da República, de 30 de janeiro, ditaram uma vitória
do Partido Socialista, uma vitória de António Costa. O país reforça a confiança em António Costa e castiga os partidos
da geringonça que provocaram a inusitada crise política, em tempos de pandemia
e com as inerentes dificuldades económicas e sociais que estamos a atravessar.
Sem
querer entrar na inconsistência ideológica e programática de alguns partidos,
constatou-se que, nesta campanha, muito se discutiu entre a dicotomia ideológica
Direita/Esquerda. Neste tempo decisivo, os portugueses fizeram uma opção clara pela
Esquerda para fazer as reformas que Portugal precisa.
A
maioria absoluta do PS, coloca uma responsabilidade acrescida no próximo
governo do país. António Costa saberá interpretar este resultado para fazer as
reformas estruturais que Portugal tanto precisa.
O
momento é oportuno. O país não se pode dar ao luxo de voltar a perder esta
oportunidade, no contexto europeu, para superar os problemas básicos de
desenvolvimento social, económico e político.
Os
portugueses, de todo o país, fizeram uma inequívoca opção, a qual deve ser
respeitada, no quadro constitucional e democrático, pelas forças políticas da
oposição, eleitas ou não, cujas ideias programáticas foram derrotadas. E, como
disse, nem vou me debruçar sobre a pobreza das ideias de alguns candidatos de
pequenos partidos que se limitaram a repetir ‘bitaites’, para colher o voto de alguns incautos.
Os
desafios para a próxima legislatura são fundamentais para que o país supere os atrasos
e recupere as oportunidades perdidas. Oportunidades perdidas pelos governos
passados que não souberam aproveitar os abundantes recursos financeiros da
União Europeia e do endividamento (claro) para promover as políticas de um
desenvolvimento sustentável.
O
próximo governo tem uma derradeira oportunidade. A única para transformar
Portugal e aproximar o padrão de vida dos portugueses à média europeia. Isto
significa que a inércia do crescimento não é suficiente. Há que acelerar.
Para
alcançarmos esses objetivos é necessária uma governação criteriosa do ponto de
vista político, com uma gestão rigorosa dos recursos financeiros que a União
Europeia irá colocar à nossa disposição. As prioridades imediatas do governo devem
ainda de acautelar o pleno aproveitamento dos fundos europeus Portugal 2020. Concretizar integral e atempadamente os investimentos
previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Estabelecer um acordo de
parceria entre o Estado português e a Comissão Europeia relativamente ao programa
Portugal 2030, para um pleno aproveitamento dos fundos europeus que virão para
Portugal.
Estas
são algumas garantias que António Costa vai concretizar, como refere no seu
programa de governo, para uma boa e célere aplicação dos fundos, adotando um
conjunto de medidas transversais que serão ferramentas para garantir estratégia,
simplificação, celeridade, proximidade, responsabilidade e transparência na
gestão dos fundos. E, inspirado num ditado popular, tendo os ovos, o mais
importante é saber fazer uma omelete. Neste caso, há que lançar, com coragem política,
as reformas para colocar Portugal a crescer mais rápido do que a média europeia
e superar os atrasos estruturais em relação aos parceiros europeus.
31.01.22
Jacinto Serrão
Publicado no Funchal Notícias, 22.02.01
Uma maioria absoluta e uma derradeira oportunidade (funchalnoticias.net)
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