Saramago
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
quinta-feira, 1 de julho de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Pobreza dos nossos ricos
A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza.Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de Endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos “ricos”.
Aquilo que têm, não detêm.Pior: aquilo que exibem como seu,é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à alturamas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)
Mia Couto
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Catorze de Fevereiro
As sem-razões do amorEu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond da Andrade
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Poema de Natal
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
—Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
—Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
—Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
—De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
Cimeira de Copenhaga. Que pena!

Eu também depositei muitas esperanças nesta cimeira, mas as políticas da ganância e da ignorância e do controlo de poder têm mais força do que a força da razão que clama pela salvação desta vida neste pequeno Planeta, pedido na imensidão do Universo.
Subscrevo esta notíca:
DN-Globo: O Pai Natal não é dinamarquês. Será mexicano?
por JOÃO CÉU E SILVA
Os dois anos de intensa preparação da Conferência de Copenhaga indiciavam - quase claramente - que o planeta iria receber pelo Natal o acordo que precisava de ter no sapatinho antes do fim do ano 2009. A razão é simples. Dizem os cientistas que a geração que habita o globo é a última a poder alterar o rumo do aquecimento global pelos seus próprios meios. Por isso, a sociedade civil acordou para o problema e pressionou os políticos de todo o mundo para que houvesse uma acção concertada por parte de 193 países em Copenhaga, na COP15. Era a solução, depois das negociações em Bali há dois anos, e a poucos anos de estar esgotado o prazo do acordo em vigor desde 1997, o Protocolo de Quioto.
São as Nações Unidas que promovem as COP e o entendimento entre os governos e as ONG de todo mundo. Como têm um modelo de consenso do século passado ainda em vigor, quando a situação explode, dizem placidamente que com a ONU têm de acontecer soluções fruto de entendimento de todas as partes. E, deste modo, reúnem milhares de pessoas de todo o mundo em vários plenários, permitindo que delegações com interesses e conhecimentos díspares se digladiem durante dias em mini-comícios de questões comezinhas quando comparadas com o colapso do planeta.
Era preciso em Copenhaga ter-se estabelecido um acordo com metas quantificadas, financiamento definido e redução de emissões fixadas. O trabalho preparatório foi todo deitado para o caixote do lixo por culpa de uma ONU ineficaz, uma presidência dinamarquesa incapaz, uma União Europeia sem gás e uma supremacia geopolítica que opõe as duas potências mundiais - a China e os EUA.
Ninguém podia perder a face. Os dois grandes não a perderam em Copenhaga, os outros bem podem enfarruscar o rosto em poeira das chaminés das fábricas para não serem reconhecidos quando voltarem aos seus países de mãos vazias. Esperemos que em 2010 o planeta ainda esteja a tempo de saber se o Pai Natal é mexicano e dá ao mundo o presente mais simples da actualidade: futuro.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Como é belo o horizonte!

O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte
Os beijos merecidos da Verdade.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
A Lei 37/07
A Lei n.º 37/2007 de 14 de Agosto a AR aprovou as normas para a protecção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco.Foi a partir de 1 de Janeiro de 2008 proibido fumar em locais de atendimento directo ao público, estabelecimentos onde sejam prestados cuidados de saúde, laboratórios, farmácias, estabelecimentos de ensino e centros de formação profissional destinados a menores de 18 anos, museus, bibliotecas, salas de conferência, de leitura, cantinas, refeitórios e nos bares, parques de estacionamento cobertos, elevadores, ascensores, cabines telefónicas fechadas e em recintos fechados das redes de levantamento automático de dinheiro.
É também proibido fumar nos veículos afectos aos transportes públicos urbanos, suburbanos e interurbanos de passageiros, bem como nos transportes rodoviários, ferroviários, aéreos, marítimos e fluviais, nos serviços expressos, turísticos e de aluguer, nos táxis, ambulâncias, veículos de transporte de doentes e teleféricos ou em qualquer outro lugar, onde por determinação da gerência, ou de outra legislação aplicável, se proíba fumar. Existem, claro, excepções legais, em áreas ao ar livre ou em locais devidamente sinalizados, com afixação de dísticos em locais visíveis, separados fisicamente das restantes instalações e que disponham de dispositivo de ventilação directa para o exterior.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Amor

Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém...
Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim...
E ter paciência para que a vida faça o resto...
William Shakespeare
domingo, 18 de outubro de 2009
Partido Socialista Madeira
Porque confio, porque acredito na força de mudança do PS-M e dos seus militantes e simpatizantes decidi candidatar-me à liderança do Partido.
"Confiaça não se dá nem se toma emprestada, conquista-se" (provérbio)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
5 de Outubro de 1910
Viva a República!A revolução do POVO oprimido acabou com a sempre, sempre indigna monarquia.
A condição humana não se compadece as directrizes de um regime que subjuga um POVO em função da nascença de uma certa casta de sangue azul.
Portugal torna-se numa República, com muitos defeitos, claro, mas a liberdade de nascer livre é a única força para melhorar a Democracia da República.
Viva a Democracia!
Viva a República!
Portugal torna-se numa República, com muitos defeitos, claro, mas a liberdade de nascer livre é a única força para melhorar a Democracia da República.
Viva a Democracia!
Viva a República!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Confúcio

Confúcio (551 a.C – 479 a.C). Foi mestre, filósofo e político. A sua doutrina, o confucionismo, teve forte influência não apenas sobre a China mas também sobre toda a Ásia oriental.
“Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita”
“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”
“Poder sem magnanimidade e ar de luto sem dor, são coisas que não suporto presenciar”
“Exige muito de ti e espera pouco dos outros. Assim, evitarás muitos aborrecimentos”
“Coloque a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa; não te alies aos moralmente inferiores; não receies corrigir teus erros”
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Precisa-se de Matéria-prima

Antes de falecer (25/08/2007), Eduardo Prado Coelho deixou-nos esta reflexão
Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo Prado Coelho - in Público
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia,
bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão
que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda
sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude
mais apreciada do que formar uma família
baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais
poderão ser vendidos como em outros países, isto é,
pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL,
DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares
dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil
para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo,
onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois,
reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que
é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis
que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média
e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,
ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada
finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro
e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas,
mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates,
melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem
corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português,
apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim,
o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas,
mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita,
essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui
até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana,
mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates,
é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós,
ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje,
o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima
defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor,
mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a
erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco,
nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei
com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece
a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados,
ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,
igualmente estancados... igualmente abusados !
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa
a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento
como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos,
a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses
nada poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável,
não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir)
que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco,
de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI
QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa ?... MEDITE !
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